Informação sobre produção e agricultores é essencial para planejar e desenvolver a atividade na RMBH

Os dados produtivos na Região Metropolitana de Belo Horizonte foram apresentados pela gerente regional da Emater-MG, Mariza Flores Fernandes Peixoto, no evento Diálogos Metropolitanos,  que reuniu especialistas, gestores e técnicos para discutir o panorama e as perspectivas da agricultura na RMBH.

Segundo Mariza, a produção na RMBH é muito diversificada e há realidades pouco conhecidas. Ela apresentou dados sobre a importância da agricultura familiar para a região e destacou o município de Baldim, cuja produção é 100% oriunda da agricultura familiar. Também destacou os municípios de Rio Manso, pela grande produção de brócolis, couve-flor e berinjela, Nova União, um dos maiores produtores de banana, Belo Vale, pelo corredor de produção de mexerica, Santa Bárbara, pela grande produção de mel 100% de apicultura familiar, e Pedro Leopoldo, pela exportação de taioba.

Mariza ressaltou o papel da Emater como prestadora do serviço de assistência técnica e extensão rural (Ater) e animadora de processos organizativos. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o principal objetivo dos serviços de Ater é melhorar a renda e a qualidade de vida das famílias rurais, por meio do aperfeiçoamento dos sistemas de produção e de mecanismo de acesso a recursos, serviços e renda, de forma sustentável.

Outra painelista do evento, a coordenadora do AUÊ! – Grupo de Estudos em Agricultura Urbana da UFMG, Daniela Adil, fez um balanço das conversações em curso sobre a agricultura.  Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Minas Gerais, Renata apresentou sua visão de como anda a agricultura na RMBH, destacando a sua diversidade. Ela ressaltou a falta de um espaço de discussão na RMBH que promova o intercâmbio de diferentes atores.

Nesse sentido, Daniela citou algumas iniciativas como a criação, em 2004, da Articulação Metropolitana de Agricultura Urbana (AMAU), um espaço permanente de encontros, intercâmbios e fortalecimento de grupos e organizações da sociedade civil da Região Metropolitana de Belo Horizonte, cujo principal objetivo é apoiar as iniciativas populares e fortalecer a organização dos agricultores da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Além disso, ela ressaltou também a criação recente da Rede Urbana de Agricultura (RUA-RMBH), que se caracteriza por ser uma rede descentralizada, sem representação formal, para discutir a agricultura na região.

Para ela, algumas questões precisam ser enfrentadas como a visão de que a agricultura é irrelevante em relação a outras agendas de prioridade, o confronto de espaços e os conflitos na disputa de água e terra para outros usos, além da falta de dados de produção e comercialização. ”É muito importante saber como se organizam as pessoas que produzem na RMBH, pois não há como planejar sem informações”.

“Inspirados na leitura do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI-RMBH), precisamos conhecer onde a produção está crescendo, quem são e como se organizam as pessoas que estão produzindo na região e quais são os conflitos em relação aos modelos adotados, além de saber como as forças políticas e econômicas estão dialogando”, frisou Daniela Adil.

Para Daniela, o planejamento é um facilitador e ainda é tempo de se pensar ações e direcionamentos para uso do solo, reorganizando as áreas de aptidão agrícola e promovendo o uso possível da terra parada. “São muitos os vazios urbanos que poderiam ser usados para a produção como as inúmeras áreas improdutivas na RMBH. Nesse sentido, temos muito que aprender com as experiências bem-sucedidas de quintais e hortas comunitárias na região”, salientou.

O assessor técnico da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), Guilherme Gonçalves Coelho, que apresentou as ações desenvolvidas pela entidade de apoio à agricultura familiar, ressaltou o associativismo como forma de melhorar a vida dos produtores rurais. Para ele, “sem parcerias, a agricultura familiar não consegue avançar”.

“O que a Fetaemg tem feito em relação à agricultura familiar é participar e promover diversas políticas que buscam fortalecer o programa e trazer mais ganhos para melhorar a vida dos produtores rurais”, ressaltou Guilherme.

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