Mobilização do Projeto Plantando o Futuro continua em Serra Azul

 

A comunidade de Freitas, da sub-bacia do Serra Azul, no município de Itaúna, recebeu, na última quarta-feira, 22, representantes do governo do Estado para apresentação do Projeto Plantando o Futuro (PPOF). A reunião, realizada com apoio da Prefeitura de Itaúna e da Emater, contou com a presença de representantes da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte e da Companhia de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais (Codemig). Essa foi a segunda reunião de apresentação do projeto na sub-bacia. A primeira foi em Mateus Leme, no dia 22, e a próxima será em Igarapé, dia 30.

Coordenado pela Codemig, o projeto foi instituído pelo Decreto 46.974 de 2016 e tem a meta de plantar 30 milhões de mudas, recuperar 40 mil nascentes, seis mil hectares de mata ciliar e dois mil hectares de áreas degradadas em todos os 17 territórios de Desenvolvimento de Minas Gerais, até 2018.

Na RMBH, o projeto-piloto abrange a sub-bacia do ribeirão Serra Azul e engloba os municípios de Itaúna, Igarapé e Mateus Leme. Ele prevê o plantio de 250 mil mudas de plantas nativas em áreas de preservação permanente (matas ciliares) nesses três municípios e a colocação de cercas de proteção nas nascentes, abrangendo uma área total de cerca de 150 hectares. A empresa vencedora da licitação para implantação do projeto-piloto na RMBH foi a Fortal Engenharia Ltda. O valor do contrato é de R$ 2,4 milhões.

O prefeito de Itaúna, Osmando Pereira, que coordenou a reunião com a comunidade de Freitas, destacou a importância das ações de preservação ambiental, como o programa de coleta seletiva, desenvolvida há 14 anos pelo município e o programa de proteção de nascentes do Rio São João, na bacia do Paraopeba.

O envolvimento dos órgãos técnicos e da sociedade para redução dos impactos da crise hídrica foi apontada pelo assessor da ARMBH, Aloisio Lopes, que representou a diretora-geral, Flávia Mourão. Para ele, “a situação dramática que vivemos no ano passado não está superada”. Dados do Serviço Geológico do Brasil demonstram que, de outubro de 2015 a abril de 2016, o total acumulado de precipitações é menor que a média histórica na maior parte do território mineiro.

Antes de chegar às comunidades, o Projeto Plantando o Futuro foi discutido com os 36 comitês de bacias hidrográficas de Minas Gerais, segundo Cleber Maia, coordenador do PPOF. A execução depende da aceitação dos proprietários, que também terão a responsabilidade por manter os cercamentos e cuidar do desenvolvimento das mudas até fase adulta.

O fato da maioria dos produtores já ter feito o Cadastro Ambiental Rural (CAR), “é importante para o sucesso do programa”, na avaliação de Mário Sotero Borges, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itaúna e Itatiaiuçu. Com a mesma opinião, Silvano Gomes, gerente do departamento rural da Prefeitura de Itaúna, vê “ganho enorme do projeto para quem está aqui e para quem está para baixo”, se referindo aos usuários das águas.

Adilson de Oliveira, extensionista da Emater tranquilizou os proprietários presentes quanto a execução do projeto. “A legislação garante os direitos dos proprietários e o plantio só será efetuado onde houver concordância”. Parceria é a palavra-chave do Projeto: “vamos pedir licença para entrar”, explicou Fernando Rezende, assessor técnico da ARMBH.

A primeira a solicitar o cadastramento no PPOF, em Itaúna, foi Maria Nogueira Cunha, que cria gado de corte em sua propriedade de 59 hectares. Ela, que já desenvolve por iniciativa própria, ações de proteção de nascentes, considera o projeto do governo estadual como um reforço para a proteção do manancial de Serra Azul.

 

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